Reconciliação bancária automática com open banking (PSD2)
Reconciliação bancária com open banking significa que o seu programa de contabilidade lê os movimentos da conta através de uma ligação PSD2 só de leitura, que você autoriza no banco, e associa cada pagamento a uma fatura emitida, a uma fatura de fornecedor ou a um talão. As correspondências claras ficam feitas sozinhas, as duvidosas esperam por si. Renova o acesso pelo menos a cada 180 dias, e o programa nunca mexe no dinheiro.
O que é o open banking da PSD2
A segunda Diretiva dos Serviços de Pagamento, a Diretiva (UE) 2015/2366, obriga os bancos a dar acesso à conta de pagamento a terceiros licenciados, com o consentimento expresso do cliente. Há dois tipos de acesso:
- Informação sobre contas (AIS). Só leitura: saldos e histórico de movimentos.
- Iniciação de pagamentos (PIS). Dar ordens de pagamento a partir da conta.
A contabilidade usa o primeiro. A ligação é criada com a autenticação do próprio banco (confirmação na app ou código) e pode ser revogada a qualquer momento. A maioria dos programas liga-se através de um prestador licenciado que mantém interfaces com muitos bancos da UE. Os movimentos chegam depois sozinhos, com data, valor, contraparte, descritivo e, quando o banco o fornece, o IBAN da contraparte. Mais no glossário: open banking.
Como funciona a associação
📋O que acontece a cada movimento
- Faturas emitidas – um recebimento com o número da fatura no descritivo, ou o valor exato de um cliente conhecido, marca a fatura como paga.
- Faturas de fornecedores e talões – um pagamento a um fornecedor conhecido pelo valor de um documento lançado liquida a dívida.
- Pagamentos recorrentes – renda, subscrições e prestações seguem padrões; depois de categorizados, são tratados da mesma forma da vez seguinte.
- Comissões e juros – as comissões bancárias são reconhecidas pelo descritivo do banco.
- O resto – correspondências parciais, como um pagamento para duas faturas ou um valor reduzido por uma comissão, são propostas para confirmação, nunca lançadas em silêncio.
A associação combina valor, descritivo, nome da contraparte, IBAN e data. Desde 9 de outubro de 2025 os bancos da área do euro têm de verificar o nome do beneficiário face ao IBAN antes de uma transferência, ao abrigo do Regulamento (UE) 2024/886 sobre pagamentos instantâneos. Isso reduz transferências para a conta errada, mas não preenche uma referência de fatura que falte.
MB Way, Multibanco e cartões
Em Portugal muitos clientes pagam por MB Way, por referência Multibanco ou por terminal de pagamento automático. Para a reconciliação, o que conta é o que chega ao extrato: em alguns casos aparece o nome de quem pagou, noutros apenas o prestador do serviço de pagamento, e os recebimentos por cartão chegam muitas vezes agrupados e já sem as comissões. Quanto menos informação houver no movimento, mais provável é que fique na fila para confirmação manual. Para vendas por terminal ou plataforma de pagamentos, o relatório do próprio prestador é o que permite ligar o lote às vendas.
Exemplo: um gabinete de arquitetura em Coimbra
Um gabinete de arquitetura de Coimbra emite cerca de 40 faturas por mês. Um cliente paga 2 460 € (2 000 € mais 23 % de IVA) com o número da fatura no descritivo: associado e marcado como pago no próprio dia. Outro cliente paga 4 920 € por duas faturas sem referência; o gabinete vê uma proposta para dividir o valor pelas duas e confirma com um clique. Um pagamento de 61,50 € com cartão sem fatura gera um pedido do documento em falta.
As vantagens que são reais
- Estado de pagamento correto. A lista de faturas em atraso está certa porque as faturas são liquidadas no dia em que o dinheiro entra.
- Sem importar extratos. Acabam os downloads em CSV e o mapeamento de formatos.
- Menos documentos em falta. Um pagamento com cartão sem fatura aparece na mesma, e o programa pede o documento.
- Uma visão da tesouraria. Saldos de vários bancos num só sítio.
Os limites que também são reais
O consentimento caduca. As regras de autenticação forte, alteradas pelo Regulamento Delegado (UE) 2022/2360, exigem que confirme o acesso à conta pelo menos a cada 180 dias. Até o fazer, os movimentos novos param. É uma medida de segurança, mas a ligação nunca fica totalmente esquecida.
A cobertura não é uniforme. Os grandes bancos de retalho estão bem cobertos; algumas plataformas para empresas e bancos mais pequenos têm interfaces incompletas ou com falhas intermitentes. Confirme que o seu banco é suportado antes de depender da sincronização.
Os campos variam. Alguns bancos enviam descritivos completos e IBAN, outros cortam-nos ou omitem-nos. Um pagamento sem referência e com valor arredondado pode nunca ser associado automaticamente.
O histórico é limitado. Os bancos expõem uma janela limitada de movimentos passados. O histórico mais antigo tem de ser importado, por exemplo de um extrato CAMT.053 ou CSV.
Não substitui os documentos. Um movimento prova que o dinheiro saiu, não o que foi comprado nem se o IVA é dedutível. A fatura continua a ser o documento contabilístico.
📊Extratos à mão versus open banking
| Tarefa | Extratos manuais | Ligação PSD2 |
|---|---|---|
| Obter movimentos | Descarregar e importar em cada período | Chegam sozinhos |
| Associação | À mão, linha a linha | Automática quando os sinais coincidem |
| Estado de pagamento | Conhecido na importação seguinte | Conhecido no próprio dia |
| Trabalho que sobra | Extrato inteiro | Fila curta de exceções |
| Reautorização | Não se aplica | Pelo menos de 180 em 180 dias |
Segurança e controlo
Uma ligação só de leitura não consegue mover dinheiro. O controlo é seu: é criada com a autenticação do banco e pode ser revogada na app do banco ou no programa. Perguntas justas a qualquer fornecedor: através de que prestador licenciado se liga, onde ficam guardados os dados dos movimentos e se alguma vez pede acesso de iniciação de pagamentos.
Como é um bom fluxo de trabalho
- Ligar as contas da empresa uma vez e anotar quando vence a reautorização.
- Deixar as correspondências claras serem lançadas sozinhas e rever a fila diária ou semanalmente.
- Pedir os documentos em falta pelo mesmo canal usado para as faturas.
- Criar regras para contrapartes recorrentes, para saírem da fila.
- Conferir o saldo final em cada fecho de período; com boa associação, é rápido.
A PSD2 vai ser substituída: em novembro de 2025 o Conselho e o Parlamento chegaram a um acordo provisório sobre um Regulamento dos Serviços de Pagamento e a PSD3. Até essas regras se aplicarem, mantém-se o quadro descrito aqui.
Como encaixa a Kontevia
A Kontevia está em early access. Liga-se aos bancos por open banking PSD2 através de prestadores licenciados, só em leitura e com acesso revogável, e nunca guarda as suas credenciais bancárias. Os pagamentos são associados às faturas emitidas e recebidas por referência, valor e contraparte; os movimentos sem correspondência ficam numa fila. Se o banco não estiver ligado, pode carregar um extrato CAMT.053 ou CSV. A partir das faturas selecionadas, a Kontevia prepara um ficheiro SEPA de pagamentos em lote (pain.001) para o seu homebanking; nada é pago sem si. Veja a reconciliação bancária na Kontevia e os bancos suportados.
Fontes oficiais
- EUR-Lex: Diretiva (UE) 2015/2366 (PSD2)
- EUR-Lex: Regulamento Delegado (UE) 2022/2360, autenticação forte
- EUR-Lex: Regulamento (UE) 2024/886, pagamentos instantâneos
Informação geral que não substitui o aconselhamento de um contabilista certificado ou do seu banco. Dados válidos a 11 de outubro de 2026.
Perguntas frequentes
- O programa de contabilidade pode mexer no meu dinheiro através da PSD2?
- Não com uma ligação de informação sobre contas. Esse acesso é só de leitura: saldos e movimentos, nada mais. Iniciar pagamentos exigiria outro consentimento, de iniciação de pagamentos, que não é necessário para a reconciliação.
- Porque é que a ligação ao banco expira?
- As regras europeias de autenticação forte exigem que confirme o acesso à conta pelo menos de 180 em 180 dias. Quando caduca, os movimentos novos deixam de chegar até voltar a autorizar; os dados já importados mantêm-se.
- Todos os bancos portugueses funcionam com open banking?
- Todos os bancos da UE com contas de pagamento acessíveis online têm de disponibilizar uma interface PSD2, incluindo a Caixa Geral de Depósitos, o Millennium bcp, o Santander, o Novo Banco ou o BPI. A qualidade varia: a cobertura de cada banco depende da sua interface no momento da ligação.
- O que vem substituir a PSD2?
- Em novembro de 2025 o Conselho e o Parlamento Europeu chegaram a um acordo provisório sobre um Regulamento dos Serviços de Pagamento e uma terceira Diretiva (PSD3), que vão substituir a PSD2. Até as novas regras se aplicarem, a PSD2 continua a ser o quadro em vigor.
Temas:reconciliação bancáriaPSD2open bankingconciliação bancáriabancos portuguesesSEPA
O Kontevia está em acesso antecipado. O comportamento específico de cada país aqui descrito reflete as regras de cada Estado, e não uma garantia de que todas as funcionalidades já estão disponíveis no seu país.
Contabilidade que acompanha as regras da UE
Envie um recibo por chat ou e-mail, e o Kontevia lê-o, lança-o de acordo com as regras do seu país e prepara o IVA e a exportação para o seu contabilista. O acesso antecipado está aberto.
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